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Автор: pod-resumo
Загружено: 2026-01-30
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Como uma criança aprende a ler e a escrever? A resposta mais comum costuma apontar para a memorização de letras, sons e sílabas, o famoso “beabá”. Mas a obra “Psicogênese da Língua Escrita”, de Emília Ferreiro e Ana Teberosky, mostra que essa explicação é limitada. Muito antes de qualquer ensino formal, a criança já está ativamente tentando decifrar o sistema da escrita, como uma verdadeira investigadora, formulando hipóteses e testando ideias.
O livro surge em um contexto de grave fracasso escolar na América Latina, marcado por altos índices de repetência e evasão, especialmente nos primeiros anos. Até então, o debate educacional girava em torno de métodos de ensino: de um lado, os métodos sintéticos, que partem das letras e sílabas até chegar às palavras; de outro, os métodos analíticos ou globais, que começam por unidades com significado. Ferreiro e Teberosky propõem uma mudança radical: em vez de perguntar qual é o melhor método para ensinar, passam a investigar como a criança aprende.
Inspiradas nas ideias construtivistas de Jean Piaget, as autoras demonstram que a criança não é uma folha em branco. Ela observa o mundo letrado à sua volta — placas, livros, embalagens — e constrói explicações próprias sobre o funcionamento da escrita. A psicogênese da língua escrita estuda justamente esse processo de construção.
Nos estágios iniciais, a criança precisa diferenciar desenho de escrita. Ela percebe que o desenho representa o objeto, enquanto a escrita representa o nome do objeto. A partir daí, cria regras próprias, como a hipótese da quantidade mínima, segundo a qual é preciso um certo número de letras para que algo seja legível, e a hipótese da variedade interna, que exige letras diferentes dentro da palavra. Esses critérios não são ensinados: são construídos pela própria criança.
Com o tempo, ela entra no nível pré-silábico, no qual a escrita ainda não se relaciona aos sons da fala, mas segue regras visuais e quantitativas. O grande salto acontece na hipótese silábica, quando a criança descobre que a escrita representa a fala e passa a usar uma letra para cada sílaba. Esse momento é um avanço cognitivo fundamental, ainda que gere conflitos com a escrita convencional. A fase silábico-alfabética marca uma transição, até que a criança chegue ao nível alfabético, compreendendo a relação entre letras e fonemas.
A grande mensagem do livro é clara: o erro não é fracasso, mas evidência de raciocínio. Ele revela a hipótese que a criança está usando naquele momento. Com isso, o papel do professor se transforma. Em vez de apenas corrigir, ele passa a investigar o pensamento do aluno e a propor desafios que favoreçam a reconstrução do conhecimento. A aprendizagem deixa de ser cópia e passa a ser descoberta.
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