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Автор: pod-resumo
Загружено: 2026-02-05
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No livro O Movimento Negro Educador: saberes construídos nas lutas por emancipação, de Nilma Lino Gomes, o movimento negro brasileiro é apresentado a partir de uma ideia potente e transformadora: ele não é apenas um ator político que reivindica direitos, mas um grande projeto educativo de longa duração, capaz de reeducar a sociedade brasileira sobre si mesma. Desde o prefácio de Boaventura de Sousa Santos, o leitor é convidado a enxergar o movimento negro como produtor de conhecimento, pedagogias próprias e interpretações críticas da realidade.
Um conceito central para essa leitura é a distinção entre “conhecer sobre” e “conhecer com”. O “conhecer sobre” é típico do saber acadêmico tradicional, que observa os grupos sociais de fora, com distanciamento. Já o “conhecer com”, característico do movimento negro, nasce da experiência vivida, da dor, da resistência e da luta coletiva. Trata-se de um conhecimento inseparável da vida, construído a partir da realidade concreta do racismo e da exclusão.
Um dos primeiros grandes saberes produzidos por esse “conhecer com” foi a ressignificação do conceito de raça. Aquilo que durante séculos foi usado como instrumento de opressão passa a ser transformado em base de identidade, orgulho, ancestralidade e projeto político. Ao enfrentar o mito da democracia racial, o movimento negro rompe com uma falsa harmonia que exigia silêncio e submissão e oferece, em troca, dignidade, explicação crítica do sofrimento e poder coletivo.
A obra mostra que essa construção não foi imediata, mas fruto de um processo histórico iniciado no pós-abolição. Após 1888, a população negra foi abandonada sem cidadania efetiva, e a educação surgiu como reivindicação central. Nesse contexto, destaca-se a força da imprensa negra, com jornais como O Clarim da Alvorada e Tribuna Negra, que funcionaram como verdadeiras universidades populares, formando politicamente a comunidade negra e combatendo as ausências produzidas pela grande imprensa.
Ao longo do século XX, o movimento se organiza em instituições como a Frente Negra Brasileira, com escolas próprias, e o Teatro Experimental do Negro, que produz saberes estético-corporais ao afirmar a dignidade do corpo negro no palco. Mesmo durante a ditadura militar, o movimento se reinventa, culminando na criação do Movimento Negro Unificado, em 1978.
A entrada de militantes negros nas universidades cria um ciclo virtuoso entre militância e pesquisa acadêmica, fortalecendo a luta por políticas públicas. Esse processo resulta em marcos decisivos como a Conferência de Durban (2001), a Lei 10.639/2003 e as ações afirmativas. Assim, o livro defende que o movimento negro não apenas lutou por educação, mas foi, ele próprio, um dos maiores educadores da história do Brasil.
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