Mário de Sá-Carneiro (1890 – 1916): de louco, todos temos um pouco...
Автор: Paulo Marques
Загружено: 2026-01-06
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DE LOUCO, TODOS TEMOS UM POUCO...
No ano de 1914, um jovem que temia estar louco, no desdobramento físico e psicológico que sentia, muito provavelmente a conselho de um amigo, resolve consultar-se com o neurologista Egas Moniz, que ficará sempre com a impressão de «um homem ligeiramente obeso, de rosto redondo com um olhar inteligente e triste».
Enquanto o ouvia, o futuro Nobel lembrou-se de um poema que lera recentemente, não se recordava onde, que descrevia precisamente aquele estado, e recitou-lho.
Para sua surpresa, o jovem respondeu-lhe ser ele mesmo o autor desse poema: «Esses versos fui eu que os escreveu, doutor».
Anos mais tarde, já esse jovem havia posto fim à vida, tendo-se suicidado dois anos depois da consulta, Egas Moniz viria a confidenciar a um aluno seu, E. Macieira Coelho, que o poema denotava ter sido escrito por um esquizofrénico.
E. Macieira Coelho relata que, de acordo com Egas Moniz, o jovem: «Descrevia com facilidade as manifestações que o atormentavam. Tinha uma linguagem muito expressiva e que denunciava cultura», tendo-se o médico apercebido de imediato que havia no rapaz «um fosso entre a infância e a maturidade, uma manifesta ausência de identidade, aparente incoerência de pensamento e, obviamente, pensamento delirante».
O jovem chamava-se Mário de Sá-Carneiro (1890 – 1916), poeta, residente em Paris, recém-chegado a Portugal, em virtude do deflagrar da Primeira Guerra (1914 – 1918), o amigo que o aconselhara a consultar o clínico fora, obviamente, Fernando Pessoa, que já havia também ele, em 1907, com a mesma questão, consultado Egas Moniz, e o poema a que foi feito referência tem por título: "16".
«(...) As mesas do Café endoideceram feitas ar...
Caiu-me agora um braço... Olha, lá vai ele a valsar
Vestido de casaca, nos salões do Vice-Rei...
(Subo por mim acima como por uma escada de corda,
E a minha Ansia é um trapézio escangalhado...).»
Ia terminar o relato do pequeno episódio, dizendo que «de louco, todo o poeta tem um pouco», mas corrijo: «de louco, todos temos um pouco».
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