JEAN AMERY: «AUSCHWITZ NRº 172364»
Автор: Paulo Marques
Загружено: 2026-01-31
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JEAN AMERY: «AUSCHWITZ NRº 172364»
A escritora de origem alemã, Ilse Losa, fugida à prisão e à morte pelo facto de ser judia, que se refugiou no nosso país, na cidade do Porto, dos 21 anos, até morrer, aos 92, escreveu (em Ilse Losa: Vida e Obra, Sob Céus Estranhos, de Ramiro Teixeira):
«Segundo a “ciência” nazista havia judeus 100%, judeus 50% e judeus 25%. Os primeiros eram de pais judeus, os segundos de casal misto, os terceiros tinham um avô ou uma avó judaico. (...) Não são raros os casos de judeus que não sabiam que eram e quando a sua origem lhes foi revelada se desesperaram. Houve uma longa série de suicídios, pois não faltavam os que já tinham aderido ao “partido” refere-se ao Partido Nacional-Socialista, o partido nazi. (...) O poeta e ensaísta Jean Amery pertencia aos desgraçados que não tiveram a mínima ideia de serem judeus. Nunca tinha entrado numa sinagoga, nem conhecia os ritos e as rezas da religião judaica. Quando a sua origem lhe foi revelada, teve a coragem de se solidarizar com outros judeus e foi levado para um campo de concentração. O que lá viu e sofreu marcou-o de tal maneira que, já uma data de anos depois da sua libertação, se suicidou.»
Jean Amery (1912 – 1978), poeta, romancista e ensaísta, nascido em Viena, na Áustria, onde estudou filosofia e literatura, acabaria por se exilar em Bruxelas, em 1938, fugindo à ameaça nazi. Isto, por ser filho de mãe católica, mas de pai judeu. Nem o facto de serem uma família assimilada, completamente integrada nos valores e costumes austríacos, nem o pai ter morrido na Primeira Guerra, deste nunca ter sido sequer praticante do judaísmo, e do rapaz ter sido educado nos princípios do catolicismo pela mãe, lhe valeram de nada...
Na Bélgica, fez parte da resistência organizada contra a ocupação alemã. Seria capturado pelo ocupante nazi e torturado na prisão. Posteriormente enviado para vários campos de concentração, conseguiu sobreviver às experiências mais terríveis, nomeadamente a última: a «marcha da morte». Dos mais de vinte e cinco mil prisioneiros belgas que foram evacuados de Auschwitz rumo a Bergen-Belsen, em marcha forçada e escoltados pelas SS, só 615 chegariam vivos ao destino. Quando o exército inglês os localizou e libertou, em janeiro de 1945, Jean Amery estava entre eles. Pesava 45 quilos e estava arruinado psicologicamente.
Fez-se jornalista e escritor, mas o fantasma da guerra nunca o abandonou. Tentou passar a dor para a escrita. Exorcizar o sofrimento através da reflexão. Superar os horrores que viveu, relatando-os. Todavia, a tarefa era dura demais.
Trinta e três anos depois, em 1978, com 65 anos, durante uma viagem como conferencista, acabou por se suicidar num hotel em Salzburgo, com uma overdose de barbitúricos.
O seu verdadeiro nome é Hanns Chaim Mayer, todavia, o trauma da guerra foi tão violento, que alterou o nome como forma de romper com tudo o que o associasse à cultura germânica.
Porque nunca quis, nem pode, perdoar ou esquecer.
Os seus restos mortais, descansam finalmente em paz, no Cemitério Central de Viena. Sobre o túmulo, numa rocha que serve de ornamento, está escrito o seu nome, e debaixo do seu nome pode ler-se uma inscrição: «Auschwitz NRº 172364».
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