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Militância teórica e filosofia burguesa - lições de Hegel, Agostinho, Marx e Lukács sobre filosofia

Автор: Filosofia Vermelha

Загружено: 2020-11-26

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Описание: Hegel afirma que a história da filosofia nos mostra uma fileira de espíritos nobres, a galeria de heróis da razão pensante. Ela não é algo do passado, fora de nossa efetividade.

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O que somos hoje não surgiu no presente, mas é uma herança, um resultado do trabalho de todas as gerações passadas, e esta herança é alterada e preservada de maneira enriquecida (Aufhebung).

Duas concepções equivocadas de história da filosofia seriam: 1) considerá-la apenas como uma sequência de eventos acidentais, aleatórios; ou 2) como um estoque (Vorrat) de opiniões, de conhecimento inútil. Se a filosofia fosse de fato apenas isso, afirma Hegel, ela seria de fato desnecessária e enfadonha, entediante.

A filosofia não contém "opiniões", e nem mesmo existe algo como "opiniões filosóficas", afirma Hegel. A filosofia é a ciência objetiva da verdade, a qual se torna conhecida através do esforço do pensamento.

O pensamento filosófico deve ser entendido em seu desenvolvimento imanente, assim como uma semente já possui em ato tudo aquilo em que se tornará: árvore, troncos, folhas, frutos e novas sementes. A filosofia tem este impulso (Trieb) de se desenvolver.

Ao estudarmos o desenvolvimento de novas escolas de pensamento, como o marxismo, por exemplo, vemos claramente os momentos de preservação e enriquecimento de que nos fala Hegel. Não haveria marxismo sem a chamada "filosofia burguesa" de Hegel e Feuerbach, ou sem a "economia burguesa" de Adam Smith e David Ricardo.

Não é possível imaginar Marx sendo Marx sem estes precursores, como se ele pudesse reconstruir sozinho todo o trabalho sobre o qual se apoiou. O problema de muitos "críticos" da "filosofia burguesa" é que estes, ao lerem Marx, fazem o acento recair apenas no momento da negação, ou da crítica, e se esquecem dos momentos de preservação e enriquecimento, de elevação a um nível superior.

Dois exemplos interessantes de como a preservação é importante na história da filosofia e pode gerar sínteses enriquecedoras são Santo Agostinho e Georg Lukács. O que ambos têm em comum é que passaram por uma "conversão intelectual".

Santo Agostinho foi maniqueu e cético antes de se converter ao cristianismo, e se ocupou da questão sobre a relação entre a teologia cristã e a filosofia pagã antiga (grega). Em sua obra "Sobre a doutrina cristã" ele afirma que assim como os judeus, no Êxodo, saíram do Egito levando vários tesouros, o cristão, ao deixar o mundo e se converter ao cristianismo deve trazer os tesouros da filosofia pagã que podem servir à fé. Os pagãos não disseram apenas falsidades, mas fizeram também um trabalho de garimpagem que trouxe à superfície diversas verdades com as quais os cristãos concordam.

Nem todos eram desta posição. Tertuliano, importante nome da história da igreja, questionava: "qual a relação entre Atenas e Jerusalém? Ou entre a Academia e a igreja?".

Georg Lukács, filósofo marxista do século XX, também passou por um processo de "conversão intelectual" semelhante ao de Agostinho. Inicialmente kantiano, depois hegeliano e, finalmente, marxista, Lukács fez uma brilhante leitura hegeliana do pensamento de Marx ancorado na bagagem que acumulou em seu itinerário intelectual. Sua obra possibilitou o surgimento da chamada "Escola de Frankfurt" e influenciou também o existencialismo francês.

O que nós chamamos de "militantes teóricos", por outro lado, são apologetas: pensam que o trabalho do pensamento, ou da filosofia, é apenas encontrar argumentos para defender uma verdade já preestabelecida.

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