O argumento ontológico para a prova da existência de Deus, de Anselmo de Aosta | Filosofia medieval
Автор: Filosofia Vermelha
Загружено: 2020-08-25
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Desde sua primeira elaboração na obra "Proslógio" (1078), de Anselmo de Aosta, o argumento ontológico para a prova da existência de Deus percorreu uma significativa trajetória na história da filosofia. Descartes, Spinoza e Leibniz o reformularam na modernidade, e Kant, em sua "Crítica da razão pura", identificou que todos os outros possíveis tipos de provas da existência de Deus o pressupõem. Novas versões do argumento surgiram também no século XX, destacando-se as de Kurt Gödel e Alvin Plantinga.
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Durante séculos o argumento “ontológico” não teve essa denominação. Tanto Anselmo quanto Descartes lhe caracterizavam apenas como "meum argumentum" – meu argumento. Leibniz fala apenas de um "argumentum dudum inter Shcolasticos celebre et a Cartesio renovatum" – um argumento muito celebrado entre os escolásticos, agora renovado por Descartes. O primeiro a descrever o argumento como ontológico foi Kant.O termo ontologia , no entanto, apareceu na história da filosofia cerca deseiscentos anos depois de Anselmo, de modo que seu argumento foi perfeitamente aceitável, por um longo período, como uma demonstração que não recorria propriamente à ontologia enquanto tal.
Anselmo inicia seu argumento com a definição de “um ser do qual não é possível pensar nada maior”. Mesmo que um insipiente (“incrédulo” ou “tolo”) negue sua existência, ele é capaz de compreender ao ouvir as palavras “o ser do qual não é possível pensar nada maior”. Mesmo que ele não admita a existência desse ser na realidade, ele se encontra pelo menos em sua inteligência.
Ao afirmar que o insipiente compreende “o ser do qual nada maior pode ser concebido”, Anselmo quer apenas salientar que não há nisso nenhuma dificuldade. A compreensão do insipiente neste ponto parece ser independente de qualquer compreensão da própria existência desse ser. Por uma questão de argumentação dialética, Anselmo requer do insipiente apenas que ele compreenda esta expressão.
Ter a ideia de um objeto na inteligência, no entanto, é bem diferente de compreender que este ser realmente exista. Um pintor, por exemplo, já tem em sua mente a obra que pretende pintar antes de executá-la, mas nada compreende de sua existência real, pois ela ainda não existe. Somente quando a tiver pintado é que ele compreenderá também sua existência. Anselmo ressalta com este exemplo que não basta ser capaz de imaginar um objeto para que ele exista também na realidade. Seu único objetivo é mostrar que algo pode existir somente na ideia, sem existir na realidade.
Resultaria em uma contradição, porém, se “o ser do qual não é possível pensar nada maior” existisse somente na inteligência. Fosse este o caso, “poder-se-ia pensar que há outro ser existente também na realidade; e que seria maior”. Segundo Anselmo, “se, portanto, ‘o ser do qual não é possível pensar nada maior’ existisse somente na inteligência, este mesmo ser, do qual não se pode pensar nada maior, tornar-se-ia o ser do qual é possível [...] pensar algo maior; o que [...] é absurdo”. Logo, conclui Anselmo, “o ser do qual não é possível pensar nada maior’ existe, sem dúvida, na inteligência e na realidade”.
Link para o livro mencionado no vídeo, no qual se encontra meu artigo sobre o argumento ontológico: https://www.loyola.com.br/produto/fil...
Meu artigo, na íntegra: https://www.academia.edu/30876210/O_a...
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