O custo da desnacionalização do parque produtivo brasileiro
Автор: Paulo Gala/ Economia & Finanças
Загружено: 2026-01-30
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O Bacen divulgou as estatísticas do setor externo de 2025, e dois indicadores voltam a chamar a atenção: a remessa de lucros e dividendos e os pagamentos de serviços de propriedade intelectual. Ambos sintetizam, de forma clara, os efeitos acumulados da desnacionalização da economia brasileira sobre o balanço de pagamentos e ajudam a explicar por que, mesmo em um contexto de superávits comerciais relevantes, as contas externas voltam a apresentar sinais consistentes de fragilidade estrutural. Os dados mostram que o déficit em transações correntes voltou a se ampliar, alcançando cerca de –3,47% do PIB no acumulado em doze meses até novembro de 2025. Esse resultado ocorre apesar de a balança comercial permanecer positiva, revelando um padrão histórico da economia brasileira: o superávit comercial funciona como principal mecanismo de compensação dos déficits crônicos nas contas de serviços e renda primária. Desde 2010, a balança comercial foi negativa em apenas dois anos e, na maior parte do período, apresentou saldos elevados, desempenhando papel central na estabilidade macroeconômica e na acumulação de reservas internacionais superiores a US$ 300 bilhões.
A partir de 2019, esse papel foi ampliado de forma excepcional. Os saldos comerciais elevados sustentaram o crescimento econômico e reduziram a vulnerabilidade externa. No entanto, desde 2024 observa-se perda de fôlego: o superávit caiu de cerca de US$ 99 bilhões em 2023 para US$ 74 bilhões em 2024 e aproximadamente US$ 68 bilhões em 2025. Essa dinâmica decorre diretamente da desnacionalização da economia brasileira. A crescente presença de empresas estrangeiras em setores estratégicos reforça um padrão produtivo baseado em montagem e adaptação, com elevado coeficiente importado.
Os efeitos aparecem de forma direta nas contas externas. Até novembro de 2025, o superávit comercial de cerca de US$ 57,8 bilhões foi insuficiente para compensar o déficit em serviços (US$ 49,2 bilhões) e, sobretudo, o déficit em renda primária, que somou US$ 73,4 bilhões. O resultado foi um déficit em transações correntes próximo de US$ 67,5 bilhões, significativamente superior à média anual do quinquênio 2020–2024. Destaca-se, nesse contexto, o déficit em serviços de propriedade intelectual, que atingiu US$ 11,1 bilhões em 2025, em trajetória praticamente contínua de crescimento desde 1995, refletindo a dependência tecnológica estrutural do país.
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Meu nome é Paulo Gala, sou graduado em Economia pela FEA-USP | Mestre e Doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo | Foi pesquisador visitante nas Universidades de Cambridge UK e Columbia NY | Autor com +10,000 cópias de livros vendidas | Geriu carteiras de +R$ 3,000,000,000 | Professor na FGV/SP há 20 anos.
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