Pingo-de-Ouro/(Duranta erecta) L. [Leitura na Descrição]
Автор: #ecofotossintesemetropolis Plantas,Afins e Leitura
Загружено: 2023-12-14
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Duranta erecta é uma espécie nativa do continente americano, ocorrendo essencialmente na região tropical, sendo considerada, no Brasil, uma espécie naturalizada. Apresenta-se como um arbusto ereto, atingindo cerca de 2,0 m de altura, de caule lenhoso e filotaxia oposta, com folhas de cor verde claro a amarelo. Suas inflorescências desenvolvem-se na porção distal dos ramos, em racemos axilares, com perfumadas flores de cálice verde e corola azul-pálida ou azul-arroxeada, que dão à espécie um de seus nome populares: violeteira. Embora as flores tenham importância ornamental secundária, atraem muitos polinizadores, principalmente abelhas e borboletas. Seus frutos sim, são bastante ornamentais, criam um efeito paisagístico bastante interessante, devido ao seu formato esférico, de cor amarelo-ouro a laranja, formando cachos pendentes, justificando seus outros nomes populares, pingo-de-ouro ou brinco-de-oxum.
O pingo-de-ouro é uma espécie facilmente encontrada em jardins, pela facilidade de seu cultivo e pela possibilidade de arranjo ornamental através da topiária. Suas folhas de coloração verde claro tornam-se mais amarelas, brilhantes e vistosas quando a planta é mantida em sol pleno. Embora seus frutos sirvam de alimento para pássaros, são extremamente venenosos para o homem, pois possuem uma saponina que pode causar sono, distúrbios visuais, taquicardia, convulsões e até a morte, dependendo da dose ingerida. Na medicina tradicional, no entanto, os frutos da violeteira possuem propriedades antifúngicas, antimaláricas e larvicidas, e são usados contra doenças de pele.
A violeteira foi primeiramente descrita em 1703 por Plumier (ver Plumeria rubra), que denominou esta espécie como Castorea racemosa, onde o gênero era uma homenagem a Castore Durante, um botânico, médico e poeta que viveu durante a época Renascentista, na Itália. Dentre as obras de Castore estão o Herbario Novo (1585), com descrição de plantas medicinais da Europa e Índias Ocidentais e Orientais e Il Tesoro della Sanità (1586) um tratado popular com recomendações de saúde, higiene e receitas médicas.
Acontece que, em 1703, quando descreveu esta espécie, Plumier não depositou o material vegetal em nenhum herbário; na verdade, os herbários ainda eram caseiros e particulares, e tudo era registrado a partir de gravuras, e foi isso que Plumier fez: uma gravura. Após 30 anos, em 1733, sob encomenda do botânico holandês H. Boerhaave, foi produzido um conjunto de 508 desenhos a partir das gravuras originais de Plumier, esse conjunto de desenhos ficou conhecido como "Codex Boerhaavianus".
Quando morou na Holanda, entre 1735 e 1739, Linnaeus teve acesso ao Codex. Em 1753, Linnaeus publicou seu Species Plantarum, onde renomeou Castorea racemosa, chamando-a então de Duranta erecta, mantendo a homenagem a Castore Durante. O epíteto específico erecta remete à orientação vertical do caule da planta.
O mais incrível desta história é que Linnaeus incluiu descrições minuciosas da espécie no seu livro baseado apenas nas ilustrações de Plumier e nas reproduções do Codex, sem nunca ter visto a espécie ao vivo, já que o espécime vegetal nunca esteve disponível. O desenho do Codex, por ser mais fiel à descrição de Linnaeus, foi eleito lectótipo desta espécie e encontra-se depositado com a figura n.° 212 Codex Boerhaavianus na Biblioteca da Universidade de Groningen, na Holanda.
Das mais de 500 gravuras do Codex, grande parte figura como lectótipo das espécies ali desenhadas, descritas a partir da imagem, sem análise do espécime vegetal. Isso é apenas um exemplo da importância fundamental da Ilustração Botânica na história e desenvolvimento da Scientia amabilis até os dias de hoje.
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