Eu só ia carregar o caminhão mas a filha do fazendeiro entrou na boleia
Автор: Relatos de chofer
Загружено: 2026-02-04
Просмотров: 454
Описание:
Vida de chofer é assim, chofer… quando você acha que vai ser só mais um batente, o destino dá um break seco. Eu tava na liga, Scania R QUATROCENTOS E CINQUENTA vermelho alinhado no tapete preto, serviço simples, carga de leve… quando a porta da boleia abriu.
Naquele segundo eu senti: isso ia dar Q R M.
Não era bucha qualquer, não. Era problema grande, do tipo que não aparece no dedo-duro, só no peito.
Eu só ia carregar o caminhão…
mas acabei puxando uma história que até hoje ecoa no meu aparato.
O estalo seco veio do nada. Um tranco curto, o volante puxando pra esquerda e o Scania R QUATROCENTOS E CINQUENTA vermelho gemendo grosso, como bicho ferido. Pisei no freio com jeito — pé de breque ali vira sentença — e joguei o bruto pro acostamento do tapete preto. C tá doido, chofer… pneu cantando, cheiro de borracha quente, coração batendo no ouvido. Se eu vacilo, era Q R M dos grandes.
Desci rápido. Ouro negro raspado, banda lateral comida. Ganância do cabrunco de quem carregou além do combinado. Bati o olho no céu e pensei na cristalíssima: “segura aí em cima”. Voltei pra boleia, liguei o aparato só pra copiar o canal. Mosca branca. Ninguém.
Foi aí que o rádio chiou de novo, mas não era aviso de botina preta, nem chamada de perneta. Era o silêncio pesado de quem sabe que vai ter que se virar. Fogão de pobre ligado no cabeçote pra esquentar a marmita azeda, mão tremendo um pouco. Eu tava na liga, mas a estrada cobra.
Meu nome é Antônio Ribeiro. Trinta e oito de idade, mais de vinte de chão. Coruja por vocação, cowboy do asfalto por necessidade. Aprendi cedo que estrada não pede licença. Ela entra. E fica. Meu lar é esse cavalo aqui — o Scania R QUATROCENTOS E CINQUENTA vermelho — viatura bem cuidada, beberrão quando apavoro, mas fiel se eu tratar com respeito. Ele já me salvou mais vezes do que gente.
Enquanto o macaco fazia força, ouvi passos. Poeira levantando devagar. Pensei em botina branca? Nada. Era só um chapa curioso, mas o olhar dele denunciava: na roça todo mundo vê tudo. Apertei os dentes. Batente atrasado vira bucha, e bucha vira fama.
Troquei o pneu no braço, suor escorrendo, camisa colando nas costas. Quando terminei, o sol já tinha virado faca. Voltei pra boleia, soltei a rédea de leve e segui. Dois metros horizontais só mais tarde. Agora era pirambeira.
No rádio, um tubarão puxou conversa.
— Q R A, amigo?
— Ribeiro, na escuta.
— Atenção no trecho. Q R M adiante.
— Copiado. T K S.
Apertei o volante. Q R M nunca vem sozinho. E não veio.
A entrada da Fazenda Queiros apareceu como quem não quer nada, porteira larga, chão batido, gente demais olhando pouco. Encostei de leve. Desci. Camisa 10 não aparece; manda recado. “Carrega ali, rápido.” Serviço da roça, da roça mesmo. Palito doce misturado com grão de ouro. Bucha disfarçada de filé.
Enquanto os chapas trabalhavam, senti o clima. Olhares atravessados, cochicho, aquele balaio de gato típico de lugar onde dinheiro manda e boca obedece. Eu fiquei na minha. Bico seco, foco no batidão. Na liga.
Quando ouvi a porta do cavalo abrir, achei que fosse vento. Não era.
Ela subiu sem pedir. Passo firme, sem pressa. O banco rangeu. O cheiro mudou — não de loura suada, nem de diesel — era outro. Levantei o olhar devagar e vi o sobrenome antes do rosto. Queiros. O peso do nome ocupou a boleia inteira.
— Posso? — ela disse, como quem já sabe a resposta.
Não respondi. Arrancar tinta ali seria pior. O rádio ficou mudo. O mundo também. Lá fora, o povo parou. Bigode a bigode, a notícia correndo.
Eu só ia carregar o caminhão. Só isso.
Mas quando a filha do fazendeiro entrou na boleia, entendi que a estrada tinha mudado de marcha.
Engatei. O Scania respondeu grave. Saímos. E eu soube, no fundo do peito, que aquela viagem não ia dar pra descer banguela.
Cheguei à Fazenda Queiros com o Scania R QUATROCENTOS E CINQUENTA vermelho rangendo de leve na entrada de chão batido. A porteira era larga, mas a sensação de aperto veio instantânea: era o tipo de lugar que te olha antes de você olhar pra ele. Parei o cavalo de metal, desliguei o motor e fiquei uns segundos só escutando o silêncio pesado, cortado pelo mugido distante do gado e o estalo do vento nas árvores. Tudo ali respirava poder.
Logo que desci, senti o cheiro do ouro líquido queimando no tanque do bebedouro dos funcionários, mistura de diesel velho com poeira de estrada. Chapas andando de um lado pro outro, cada um com sua missão, mas todos olhando de canto de olho, esperando ver se alguém vacilava. Eu não estava na roça há tanto tempo assim, mas conhecia a rotina: quem manda fala baixo, mas todo mundo sente a força. E quem obedece… bem, quem obedece aprende a engolir seco.
Повторяем попытку...
Доступные форматы для скачивания:
Скачать видео
-
Информация по загрузке: