Voltei de viagem e encontrei roupas de mulher no meu closet. Meu marido gargalhou...
Автор: Enredos da Vida
Загружено: 2026-01-03
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Eu sempre acreditei que o silêncio de uma casa vazia tinha um som específico. Era uma espécie de zumbido baixo, uma vibração que indicava que as paredes estavam descansando da presença humana. Mas, naquele final de tarde de terça-feira, quando girei a chave na fechadura da porta maciça de carvalho do meu apartamento, o silêncio que me recebeu não era de descanso. Era um silêncio de tocaia. Havia algo de errado no ar, uma densidade diferente, como se o oxigênio tivesse sido substituído por uma névoa invisível de traição.
Eu tinha passado vinte e cinco dias fora. Quase um mês longe da minha casa, do meu marido, da minha rotina. A viagem não fora a lazer. Eu precisara ir até o interior do estado para resolver o inventário complexo deixado pelo meu falecido avô, uma daquelas burocracias intermináveis que exigem assinaturas, cartórios e paciência infinita. Durante essas três semanas e meia, as chamadas de vídeo com Nicollas foram escassas. Ele alegava excesso de trabalho, reuniões intermináveis que invadiam a madrugada e uma exaustão que, segundo ele, o impedia até de manter os olhos abertos para me desejar boa noite. Eu, na minha ingenuidade de esposa dedicada e confiante, acreditei. Acreditei porque é isso que fazemos quando amamos: preenchemos as lacunas da dúvida com a argamassa da confiança.
Entrei arrastando minha mala de rodinhas, cujo som ecoou pelo piso de porcelanato como um trovão em céu limpo. O apartamento estava impecável. Limpo demais. Não havia um copo fora do lugar, nem uma revista desalinhada na mesa de centro. Parecia um cenário de loja de decoração, frio e impessoal. Mas o que me paralisou no meio da sala de estar não foi a ordem, e sim o cheiro.
Não era o aroma cítrico do produto de limpeza que eu usava. Era um perfume doce, enjoativo, com notas fortes de baunilha e jasmim barato, que parecia impregnado nas cortinas, no sofá, no próprio ar que eu respirava. Meu estômago contraiu. Aquele não era um cheiro que Nicollas usaria, e certamente não era o meu.
Caminhei em direção ao corredor, sentindo minhas pernas pesarem toneladas. O instinto de sobrevivência gritava para que eu desse meia-volta e saísse dali, mas a curiosidade mórbida me empurrava para frente. A porta do nosso quarto estava entreaberta. Empurrei-a devagar. A cama estava feita, mas os travesseiros não eram os meus. Eram outros, mais altos, com fronhas de cetim vermelho que eu jamais compraria. Aquilo foi o primeiro soco no estômago. O segundo veio quando abri a porta do closet.
Eu esperava encontrar minhas roupas organizadas por cor, como eu as deixara. Meus terninhos de linho, minhas camisas de seda, meus vestidos discretos de corte reto. O que encontrei foi uma invasão bárbara.
Metade das minhas araras estava vazia. Minhas roupas não estavam lá. No lugar delas, penduravam-se peças que pareciam gritar vulgaridade: vestidos curtos de lantejoulas, blusas transparentes de cores berrantes, calças de couro sintético que brilhavam sob a luz artificial do closet. No chão, onde deveriam estar meus sapatos de salto médio e confortáveis, havia botas de cano alto com saltos agulha vertiginosos e sandálias de tiras finas.
Fiquei estática, tentando processar a imagem. Não era apenas uma traição; era uma substituição. Alguém não apenas dormira na minha cama; alguém estava, sistematicamente, apagando a minha existência dentro da minha própria casa.
Toquei em um dos tecidos. Poliéster barato. Senti uma náusea subir pela garganta. Onde estavam as minhas coisas? Onde estava a minha vida?
Foi nesse momento que ouvi o barulho da porta da frente se abrindo. Passos firmes, seguidos pelo som de saltos batendo contra o chão. E risadas. A risada de Nicollas, solta, leve, uma risada que eu não ouvia direcionada a mim há anos. E outra risada, feminina, aguda e estridente.
Meu coração disparou, batendo contra as costelas como um pássaro enjaulado. Saí do closet e parei no meio do quarto, aguardando. Não precisei esperar muito.
Nicollas entrou no quarto, ainda rindo de alguma piada, desabotoando a camisa social. Ele parou abruptamente quando me viu. O sorriso não desapareceu, mas mudou. Transformou-se em um esgar de escárnio, uma expressão de quem foi pego, mas não se importa. Atrás dele, surgiu a dona das risadas.
Ela era jovem, muito mais jovem do que eu. Tinha cabelos longos, tingidos de um loiro platinado que parecia artificial demais, e usava um daqueles vestidos curtos que eu vira no meu closet. Ela me olhou de cima a baixo, não com vergonha, mas com uma arrogância territorial.
— Você voltou cedo — disse Nicollas, como se comentasse sobre a previsão do tempo. A frieza na voz dele me causou arrepios.
— O que está acontecendo aqui, Nicollas? — Minha voz saiu trêmula, mas firme. Apontei para o closet aberto. — Onde estão as minhas roupas? E o que as roupas dessa... moça estão fazendo no meu lugar?
A garota soltou uma risadinha e se encostou no batente da porta, cruzando os braços. Ela parecia estar assistindo a um reality show entediante.
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