Caixa de música" - European Portuguese Classes -pronunciation. "
Автор: EuroPortuguese LA
Загружено: 2013-07-02
Просмотров: 6728
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Text for level B2/C1.
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/ europeanportuguesela
Full text:
Catarina não gostava da cara que tinha. Achava-se feia, com o seu nariz arrebitado, a boca grande e os olhos muito pequeninos.
Na escola, as crianças não queriam brincar com ela. Preferiam outras companhias. Corriam pelo pátio, muito alegres, fazendo jogos em que Catarina nunca conseguia entrar.
Quando a campainha tocava, no fim das aulas, pegava na pasta de cabedal castanho, punha-a às costas e ia sem pressa para casa, colada às paredes, com medo das sombras, dos gracejos dos rapazes mais crescidos. Com medo de tudo o que pudesse tornar ainda mais triste a sua vida.
E lá andava ela com os seus olhos pequeninos e tristes, com os pés para o lado, a ver se descobria alguém que conseguisse gostar dela, nem que fosse só um bocadinho.
No caminho para casa encontrava todos os dias o homem do realejo. Era muito velho e estava sempre a sorrir. Trazia, poisado no ombro, um grande papagaio de muitas cores que passava todo tempo a dormitar.
Quase ninguém reparava no velho que tocava cantigas muito antigas, à esquina de duas ruas sem sol.
Quando fez anos, Catarina levou-lhe uma fatia de bolo de aniversário, com cerejas cristalizadas e algumas velas em cima. O velho ficou muito comovido, guardou o bolo dentro de um saco branco e foi-se embora, para ela não ver a sua cara enrugada cheia de lágrimas.
Um dia, quando saiu da escola, foi procurar o seu amigo. Deixou que ele lhe agarrasse na mão e ouviu-o dizer numa voz muito sumida:
Vim hoje aqui com muito sacrifício só para te dizer adeus. Vou partir para muito longe, mas gostava de te deixar uma recordação minha.
Meteu a mão no bolso do sobretudo e tirou uma pequena caixa de música.
Esta caixinha é muito, muito velha. Nem se sabe ao certo a sua idade. Sempre que a abrires e tiveres um desejo ele há-de realizar-se imediatamente.
Catarina ficou muito contente a olhar para a caixa e quando quis agradecer ao amigo já não o encontrou.
Catarina levou para casa a caixinha de música. O desejo não demorou a surgir: queria deixar de ser feia. Pôs-se à frente do espelho, abriu a caixa e pensou no seu desejo com quanta força tinha.
Da caixinha saía uma música muito bonita. Catarina olhou para o espelho cheia de receio de que o sonho não se tivesse tornado realidade. Mas não. Ninguém iria acreditar quando a visse com a sua nova cara, o ar alegre e bem disposto.
A sua vida modificou-se completamente. Passou a ter amigos. Já ninguém falava da sua cara, da sua maneira esquisita de andar.
Um dia perdeu a caixinha de música. Ao fim de uns dias, a magia começou a desaparecer lentamente. A boca alargou, os olhos voltaram a ficar muito pequenos. Sentiu de novo uma grande tristeza e apeteceu-lhe fugir para muito longe ou nunca mais sair de casa.
Ao fim de algum tempo, acabou por se decidir: começou a sair à rua, a ir à escola. E, com grande surpresa sua, os companheiros de escola, os amigos falavam-lhe como se nada tivesse acontecido, como se a sua cara não tivesse voltado ao que era dantes.
A tristeza desapareceu e Catarina percebeu que o importante não é a cara que as pessoas têm mas a forma como são na vida, no mundo, como sabem ser solidárias com os outros.
José Jorge Letria, Histórias quase Fantásticas,
Cacém, Edições Ró, 1981 (adaptado).
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