Especial Literatura Portuguesa
Автор: Carolina Paiva
Загружено: 2017-11-07
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Vídeo Especial Literatura Portuguesa com recomendações de autores portugueses. Este especial foi criado pela Cláudia do canal “A mulher que ama livros” e o próximo a fazer recomendações será o Hugo do canal “O Aprendiz de Leitor”. Não percam todas as recomendações, nunca são de mais! :) De 6 a 10 de novembro.
Notas:
Valter Hugo Mãe é um escritor português que nasceu numa cidade angolana outrora chamada Henrique de Carvalho, actual Saurimo (informação retirada de Wikipédia).
Golgona Anghel nasceu na Romênia, em 1979, mas vive há anos em Portugal, onde estabeleceu residência e língua.
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Vídeo canal “A mulher que ama livros”:
• O ESCRITOR PREFERIDO DOS PORTUGUESES | COM...
Canal “O Aprendiz de Leitor”:
/ @aprendizdeleitor
Poema “Aniversário” de Fernando Pessoa (heterónimo Álvaro de Campos):
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
Micro-conto Possidónio Cachapa:
“Micronarrativa com mulher dentro”
UMA MULHER LIVRE resolveu escrever um livro em 45 capítulos que pudesse arrumar confortavelmente no bolso. Esta ideia contudo perturbava-a sem que soubesse ao certo porquê. Durante várias noites não conseguiu dormir a pensar nas razões do seu incómodo. Enquanto se esforçava por adormecer, passavam-lhe diante dos olhos imagens do rosto da mãe, ainda jovem, de saias compridas, colares e longos cabelos. Do pai, quase sempre estendido debaixo de uma luz moribunda de Verão, belo como um deus que se consumisse aos poucos. Ela e os irmãos a correrem descalços e nus em volta de uma piscina de plástico com patos e flores. Ela, sozinha, na faculdade, a fechar a porta do quarto depois de uma noite de sexo amigo, daquele que não prende.
A pintar as paredes da primeira casa, da segunda… enquanto os namorados ficavam estendidos, belos como deuses ainda por consumir. A fechar as portas com dor. Uma mulher livre quis escrever um livro com a ligeireza do ar e descobriu que era cega. Como se fosse verão.
Blog Mária do Rosário Pedreira:
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Muito obrigada.
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