João Gilberto - Boogie Woogie na Favela/ Boogie Woogie do Rato (1996)
Автор: Otavio Filho
Загружено: 2021-06-09
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Decerto que a primeira audição se deu em algum alto-falante de Juazeiro, ou colado num radinho da casa. Eram canções buliçosas que anunciavam o fim da guerra, propagandeavam a “política da boa vizinhança” e, por sua moderna novidade, faziam a cabeça do adolescente que dandava entre a beira do São Francisco — o das primeiras lições da música das águas — e a voz de Cyro Monteiro acompanhado por uma big band no samboogie de Denis Brean; depois em interpretação de seu conjunto de devoção: Os Anjos do Inferno na tela do cinema; mais tarde a resposta contundente e humorada de Brean aos plágios em profusão que brotaram de seu sucesso: O Boogie Woogie do Rato, em interpretação de Joel e Gaúcho. O menino da beira do rio se divertia; a música selava seu destino.
50 anos depois, em 1996, ele executa as canções de sua adolescência; já não é só o menino da beira do São Francisco: é João Gilberto. Ato contínuo, salta sobre as acusações de condescendência com a invasão da música americana disparadas contra si, seu amigo Brean e outros mais. Distante do provincianismo, a música universal de João Gilberto abriu as possibilidades de interpretações muito brasileiras: Os Novos Baianos, seus filhos diletos e aprendizes, regravaram o Boogie Woogie do Rato em 1978; em 2005, seu amigo Orlandivo deu cores de samba-reggae ao “... Na Favela”.
O menino que aprendera sambas antigos sublinha a linha de baixo — o surdo renitente, o tamborim constante — sístole-diástole do homem que retoma as canções ouvidas pelo menino e privilegia o samba, dá ao boogie seu tempero — “Os bacharéis do samba consultaram arquivos e verificaram que era bossa nova aquele modo do João cantar”, como soprou o também aniversariante Zil Rozendo.
O público se diverte com suas anedotas, atêm-se às suas divisões inesperadas e queda hipnotizado pela tensão de sua respiração a marcar o ritmo. Não há um nacionalismo de cor provinciana; nem uma ingênua xenofilia. Algo novo foi criado, mas lançado ao futuro pelas mãos do menino que ouviu o rádio e por anos conviveu intimamente com a música que ora executa. É matéria histórica, perfeita, porque, como a cerâmica, só é original quando apresenta as frisas digitais de seu criador; no caso de João, o que o constituiu de ouvinte a oleiro do som — matéria recolhida do rio, do rádio, da vida.
Feliz aniversário, meu amigo, tu é Pedra 90.
Obrigado por tudo. Nós te amamos.
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João conheceu Denis Brean e firmou uma amizade de vida inteira porque o campineiro compôs “Bahia com H” e revelou que nunca tinha ido à Bahia. “Tal qual um postal”, a sua Bahia vinha como ilustração das canções que o emocionavam.
As fotos são de uma visita de João à casa de Denis, em uma breve passagem que fez pelo Brasil, em 1965.
O vídeo é dedicado ao Zuza, ele que tudo nos ensinou em sua generosidade e hoje celebra o primeiro aniversário de seu amigo do lado de lá.
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