audiolivro - GEORG LUKÁCS - O JOVEM HEGEL E OS PROBLEMAS DA SOCIEDADE CAPITALISTA (24)
Автор: Voz e grito
Загружено: 2025-09-22
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O rompimento com Schelling e a Fenomenologia do Espírito (Iena, 1803-1807)
1 — Da exacerbação das divergências até a ruptura
No início do período de Iena, Hegel e Schelling atuaram lado a lado contra o idealismo subjetivo. Contudo, a partir de 1803, suas trajetórias se distanciaram. Enquanto Schelling aprofundava tendências místicas e estéticas — aproximando-se dos românticos e de um viés religioso reacionário —, Hegel consolidava uma linha própria, crítica e dialética, que o levaria à elaboração da Fenomenologia do Espírito.
O núcleo da divergência não se limitou a questões de estilo ou terminologia. Schelling buscava na “intuição intelectual” e na arte o ponto culminante do conhecimento do absoluto, acessível apenas a gênios, numa concepção aristocrática do saber. Hegel, ao contrário, insistia que a filosofia devia ser ciência da razão, aberta a todos mediante trabalho conceitual e mediação dialética. Para ele, a arte e a religião tinham valor, mas eram formas limitadas de apreensão da verdade, incapazes de substituir a reflexão filosófica.
Essa diferença se refletiu também na filosofia social. Schelling via a modernidade de modo pessimista: criticava o Iluminismo, rejeitava a liberdade civil e temia a “multidão”. Hegel, em contrapartida, compreendia a sociedade burguesa como produto da Revolução Francesa e defendia que o processo histórico se realiza por contradições e rupturas, inclusive pelas revoluções. O historicismo de Schelling era conservador, exaltando a continuidade; o de Hegel, ao contrário, afirmava a unidade de continuidade e descontinuidade, reconhecendo o papel progressivo das revoluções.
Na sátira aos discípulos de Schelling, Hegel denuncia o jargão vazio e o misticismo travestido de profundidade. Sua crítica é tanto teórica quanto política: combater a “intuição intelectual” significava defender a racionalidade contra o irracionalismo e rejeitar a elitização do saber. Nesse ponto, sua posição se conecta à ideia de que o conhecimento do absoluto não é privilégio de poucos, mas processo aberto, mediado e acessível pela escada da Fenomenologia do Espírito.
A ruptura com Schelling foi, assim, decisiva para a originalidade do sistema hegeliano. Ao recusar tanto o formalismo da filosofia da natureza quanto o irracionalismo romântico, Hegel avançou na construção de uma lógica dialética, na qual as categorias não são fixas, mas se movem e se transformam em conexão orgânica. Esse projeto já se anuncia na Fenomenologia, concebida como introdução à ciência da lógica.
Enquanto Kant, Fichte e o próprio Schelling ainda mantinham a lógica formal intocada, Hegel ousou concebê-la como dialética. Isso significava pensar a substância das categorias em movimento, não como abstrações imóveis, mas como momentos de um processo que se desenvolve e só se realiza plenamente como resultado. Daí a célebre tese da Fenomenologia: “o verdadeiro é o todo”.
Portanto, a separação entre Hegel e Schelling não foi mero incidente pessoal, mas a expressão de duas concepções opostas. Schelling caminhava para o misticismo e o reacionarismo; Hegel, para a construção de uma ciência dialética da história e da lógica. A Fenomenologia do Espírito surge como marco dessa virada: ao mesmo tempo conclusão de uma polêmica e inauguração de uma filosofia nova, que supera o romantismo e o formalismo transcendental e abre caminho ao idealismo objetivo plenamente desenvolvido.
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