Consciência Negra, Hollywood e a história de Hattie McDaniel
Автор: Professor Luiz Roberto
Загружено: 2025-11-18
Просмотров: 116
Описание:
Ela nasceu em 10 de junho de 1893 em Wichita (Kansas) e era filha de pais que haviam sido escravos.
Desde cedo sua trajetória artística envolveu teatro, rádio e canto gospel, mas encontrou barreiras estruturais de raça ao ingressar em Hollywood.
Dificuldades para trabalhar
Em Hollywood, foi colocada quase sempre em papéis de empregada doméstica. Atuou em dezenas de filmes, mas raramente recebeu o devido crédito por suas atuações.
O Código Hays, oficialmente chamado de Motion Picture Production Code, foi um conjunto de regras de censura moral que controlou o conteúdo dos filmes produzidos em Hollywood entre 1930 e 1968.
Esse código limitava a presença de atores negros em papéis de destaque e proibia romances interraciais, reforçando assim os estereótipos raciais que marcaram a trajetória de Hattie McDaniel.
Ela sofreu uma dupla rejeição: dos brancos, por causa do racismo dos estúdios e do público, e também de parte da comunidade negra, que criticava o fato de ela ter que fazer papéis cheios de estereótipos.
Certa vez Hattie McDaniel comentou: - Prefiro ganhar 700 dólares no cinema fazendo uma empregada doméstica do que ganhar só 7 dólares e trabalhar como empregada doméstica na vida real.
Produção do filme E o Vento Levou, de 1939
Hattie McDaniel conquistou o papel de Mammy, a empregada doméstica da protagonista Vivien Leigh. Mais uma vez, tratava-se de uma personagem estereotipada, o que refletia as limitações e barreiras impostas às atrizes negras em Hollywood naquela época.
O episódio com o banheiro
Quando Clark Gable, que interpretava Rhett Butler e era uma das maiores estrelas de Hollywood, soube que Hattie estava proibida de usar o banheiro dos brancos, ficou indignado. Ele era amigo pessoal dela e admirava muito seu talento e sua força.
Gable teria ido até o diretor Victor Fleming e ameaçado abandonar as filmagens caso a discriminação continuasse. Sua atitude causou grande impacto no set.
O estúdio Metro Goldwyn Mayer, temendo perder a principal estrela masculina do filme, voltou atrás e permitiu que Hattie McDaniel utilizasse o mesmo banheiro que os demais atores.
Estreia do Filme
Quando o filme ...E o Vento Levou ficou pronto, houve uma grande estreia em dezembro de 1939, na cidade de Atlanta, Geórgia, uma região do Sul dos Estados Unidos que ainda vivia fortemente marcada pela segregação racial imposta pelas Leis de Jim Crow. Esse termo não vem de uma pessoa, mas sim de uma personagem caricata de um espetáculo teatral do século XIX, na qual um ator branco se pintava de preto, o blackface, para zombar das pessoas negras.
Hattie McDaniel, apesar de interpretar Mammy, uma das personagens mais queridas do filme, foi proibida de comparecer à estreia.
O motivo: o teatro não permitia a entrada de pessoas negras, segundo as leis de segregação racial da Geórgia.
Selznick (o produtor) quis levá-la, mas foi advertido pelas autoridades locais de que seria ilegal — e que a presença dela “causaria problemas”.
Clark Gable, colega de elenco e amigo de Hattie, ameaçou não comparecer à estreia.
Ela, no entanto, pediu que ele fosse, dizendo que o sucesso do filme era importante para todos.
Conquista no Oscar
O sucesso de Hattie McDaniel no papel de Mammy foi tanto, que em 29 de fevereiro de 1940, tornou-se a primeira pessoa negra a ganhar um Oscar, de atriz coadjuvante. Mesmo assim, na entrega do prêmio, teve de sentar separada, no fundo do salão, numa cerimônia ainda segregada.
Veja o que disse no seu discurso:
“Membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, colegas da indústria cinematográfica e convidados de honra:
Este é um dos momentos mais felizes da minha vida, e quero agradecer a cada um de vocês que teve parte na minha escolha para receber este prêmio, por sua gentileza.
Isso me faz sentir muito, muito humilde, e sempre guardarei este momento como uma luz que me guiará em tudo o que eu puder fazer no futuro.
Espero sinceramente ser sempre um motivo de orgulho para a minha raça e para a indústria do cinema.
Meu coração está tão cheio que é difícil expressar o que sinto, então apenas digo: muito obrigada e que Deus os abençoe.”
• Hattie McDaniel winning Best Supporting Ac...
Racismo até na morte
Hattie McDaniel faleceu em 26 de outubro de 1952, aos 57 anos, em Los Angeles, vítima de câncer de mama. Ela deixou dois desejos em testamento:
(1) Ser enterrada no cemitério Hollywood Forever, onde estavam sepultadas as maiores estrelas brancas da época.
(2) Que seu Oscar fosse doado à Universidade Howard, uma das instituições negras mais importantes dos Estados Unidos.
Nenhum dos dois pedidos foi respeitado.
O cemitério recusou seu sepultamento, alegando “regras internas” — na verdade, por puro racismo.
Seu Oscar, que, na época, era uma placa de bronze, não a estatueta que conhecemos hoje, também desapareceu misteriosamente.
2025
#ProfessorLuizRoberto
#UmAssuntoPuxaOutro
Повторяем попытку...
Доступные форматы для скачивания:
Скачать видео
-
Информация по загрузке: