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Автор: pod-resumo
Загружено: 2026-01-29
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A ideia de que a educação é a chave universal para o progresso individual e nacional está profundamente enraizada no senso comum. Desde cedo, ouvimos que estudar mais é o caminho seguro para melhorar de vida, reduzir desigualdades e garantir crescimento econômico. É justamente esse discurso aparentemente óbvio e positivo que o educador e filósofo brasileiro Gaudêncio Frigotto questiona de forma contundente no livro A produtividade da escola improdutiva.
O alvo central da crítica é a chamada teoria do capital humano, muito difundida a partir da década de 1960. Segundo essa teoria, a educação funciona como um investimento: quanto mais uma pessoa estuda, mais produtiva ela se torna e, como recompensa, recebe salários maiores. No plano macroeconômico, a promessa é que países que investem em educação crescem mais; no plano individual, que o esforço escolar garante mobilidade social. Essa lógica sustenta a ideia de meritocracia e responsabiliza o indivíduo pelo próprio sucesso ou fracasso.
Frigotto desmonta esse argumento ao mostrar sua circularidade. As pesquisas empíricas revelam que não é a educação que determina a renda, mas, em grande medida, a renda e a posição social que determinam o acesso e o sucesso escolar. Assim, a escola não atua como grande equalizadora de oportunidades, mas tende a reproduzir as desigualdades já existentes. O que aparece como causa é, na verdade, consequência.
Mais do que um erro teórico, Frigotto argumenta que a teoria do capital humano funciona como uma ideologia. Ela naturaliza o capitalismo, ignora as relações de poder e reduz conflitos estruturais a escolhas individuais. Ao focar no indivíduo abstrato e racional, apaga fatores como classe social, exploração e dominação, fazendo parecer que o “jogo” é justo quando, na realidade, as regras já favorecem alguns desde o início.
Nesse contexto, surge o conceito central da obra: a improdutividade produtiva da escola. A escola é improdutiva porque não qualifica tecnicamente a maioria para o mercado de trabalho, mas é produtiva para o sistema porque cumpre funções essenciais. Ela mantém milhões de jovens fora do mercado de trabalho, disciplina comportamentos exigidos pelo mundo do trabalho e legitima a desigualdade por meio da meritocracia escolar. Além disso, movimenta enormes volumes de capital em setores como construção, editoras, tecnologia e alimentação.
Frigotto também aponta a desqualificação do trabalho docente, transformando professores em executores de currículos padronizados, enquanto uma educação de excelência é reservada às elites que irão gerir o sistema. Ao final, o livro provoca uma pergunta fundamental: a educação existe para emancipar e formar sujeitos críticos ou para reproduzir e legitimar uma ordem social desigual?
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