Gira de A a Z - Aula 01 - Chegada dos Médiuns ao Terreiro
Автор: Saravazinho
Загружено: 2025-07-19
Просмотров: 4708
Описание:
Aula 1 – Chegada dos Médiuns ao Terreiro
A gira de Umbanda não começa no toque do atabaque nem no ponto cantado. Ela se inicia muito antes, na intenção silenciosa de cada médium que decide pisar no terreiro de coração limpo. Chegar a um terreiro não é um ato mecânico, é um ritual vivo, mesmo quando não há incenso queimando nem ponto riscado no chão. É quando o filho cruza o portão carregando não apenas seu corpo físico, mas também as dores, as preocupações, as confusões que o mundo lá fora deixa presas na mente. É por isso que o primeiro passo para quem quer servir com verdade é chegar cedo. Chegar cedo é mais do que marcar presença: é dar tempo para que o pensamento se aquiete, a respiração desacelere e o coração se alinhe com a energia do terreiro.
A Umbanda é uma corrente viva que se sustenta no elo de cada um. Quando um médium entra apressado, já atrasado, traz consigo a pressa, o barulho, a desordem do lado de fora. Isso balança o campo vibratório, abre brechas, quebra sintonia. Por isso, a pontualidade não é capricho de dirigente — é respeito pelo trabalho que já começou muito antes da sua chegada. É reverência aos guias que já estão firmes, à tronqueira que segura a demanda lá fora, aos irmãos de corrente que chegaram antes, saudaram as firmezas, bateram cabeça e ajudaram a levantar o axé do dia.
Quando o médium chega com antecedência, encontra tempo para fazer aquilo que parece simples, mas que sustenta toda gira: silenciar a boca, acalmar a mente, firmar o pensamento nos Orixás, nos guias que trabalham por amor à caridade. Não é hora de fofoca, de risada fora de lugar, de conversa vazia que espalha energia. O terreiro não é salão de festa. É chão de cura, de oração, de entrega. Cada palavra solta antes da hora é força desperdiçada que podia estar guardada para o passe, para o conselho, para o descarrego de quem vem buscar ajuda.
Assim que cruza a porta, o médium mostra o tamanho do seu respeito saudando as firmezas da casa. É diante do ponto riscado, da tronqueira assentada no canto, da vela que brilha no altar que se faz o primeiro pedido de licença. É uma reverência silenciosa que diz: “Estou aqui de coração aberto, pronto para servir, consciente da responsabilidade que carrego”. Cada firmeza tem um papel: filtra, protege, fecha porta para o que não presta. E quem honra essas forças é protegido por elas. É como bater à porta da casa de alguém — ninguém entra sem anunciar presença.
Em algumas casas, é permitido que o médium reforce suas pequenas firmezas pessoais. Uma vela acesa num cantinho, um copo de água renovado, uma oração feita em silêncio, tudo isso ajuda a segurar o peso que poderia se espalhar dentro do trabalho. Mas isso não substitui a força coletiva — é um reforço consciente, feito com respeito à regra do chão que se pisa. A disciplina maior é saber que o terreiro não é lixeira de mágoa: cada um limpa o que puder antes de chegar, para não virar peso para a corrente.
O corpo, por sua vez, é a primeira ferramenta de trabalho do médium. É através dele que passa o axé do guia, que se dá o passe, que se faz o benzimento. Por isso, deve chegar limpo, lavado em banho de ervas preparado em casa com fé, não apenas com cheiro de sabonete, mas com intenção de cortar o que atrapalha. A roupa branca separada, passada, guardada com carinho, também fala: mostra que o filho entendeu que ali não há vaidade, mas entrega. A guia de pescoço não é adorno, é elo de proteção, deve ser guardada, energizada e usada com respeito. E o alimento? Nada de excessos, bebidas ou vícios — o corpo é templo que acolhe força maior do que a nossa.
Por fim, meus filhos, cada terreiro tem suas tradições, seu jeito de fazer, seu fundamento. O que não muda é o sentido: chegar cedo, em silêncio, respeitando cada detalhe, é abrir o peito para o axé se firmar. Quem chega consciente soma força. Quem chega disperso vira obstáculo. Respeitar o terreiro é respeitar a si mesmo. Umbanda é corrente justa: cada elo limpo sustenta o outro. É assim que se constrói uma gira forte, um trabalho limpo e uma fé que se espalha do chão ao astral.
Повторяем попытку...
Доступные форматы для скачивания:
Скачать видео
-
Информация по загрузке: