ARQUITETOS DO ABISMO (Ish Hagun)
Автор: ARCA SONORUM
Загружено: 2026-02-11
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ARQUITETOS DO ABISMO
(Ish Hagun)
A inveja é um esgoto aberto no peito,
Um duto clandestino de fel e rejeito,
Habitat úmido de seres rastejantes,
Que à luz do sucesso tornam-se ofegantes.
Deletérios no verbo, na intenção corrosiva,
Carregam no olhar a sentença cativa,
Em efusiva decomposição moral,
São carcaças que andam em cortejo banal.
Ruminam a inveja diuturnamente,
Como vermes famintos na própria mente,
Fazem da alma uma latrina polida,
Onde o ódio é regra, a mágoa é comida.
O que há de melhor no cérebro delas
Apodrece em valas internas e paralelas,
Transformam talento alheio em ofensa pessoal,
E a própria frustração em decreto universal.
Não suportam o brilho que não podem ter,
Nem o voo de quem ousa crescer,
Cada conquista é um espelho cruel
Que revela o vazio por trás do papel.
Inveja é lama que sobe pela mão,
É lodo movediço no próprio chão,
Quanto mais atacam, mais vão afundar,
No breu que escolheram habitar.
Regurgitam impropérios ao vento,
Mas ecoa de volta o próprio tormento,
Prisioneiros do fel que cultivaram,
Do abismo que eles mesmos cavaram.
São cambaleantes na própria narrativa,
Escrevem derrota como se fosse ofensiva,
Confundem grandeza com afronta direta,
E a vitória do outro com punhal na reta.
Confinados em existências movediças,
Chamam virtudes de falhas postiças,
E no teatro sombrio da comparação
Perdem-se no eco da própria negação.
A inveja não é fome de crescer,
É recusa covarde de florescer,
É o grito mudo de quem se perdeu
Na sombra do que nunca construiu.
É o permanente regurgitar de rancor,
Travestido de crítica, disfarçado de furor,
Mas todo veneno que insistem lançar
É o mesmo que os faz apodrecer por dentro, sem parar.
Inveja é esgoto a céu aberto na alma,
É guerra interna que nunca se acalma,
Quanto mais tentam o outro diminuir,
Mais revelam o próprio ruir.
São vermes da própria criação,
Arquitetos da autodestruição,
No lodo que escolheram morar
Vão, lentamente, se eternizar.
No fim, resta o silêncio da decomposição,
Um eco vazio na própria escuridão,
Porque quem vive a odiar o que não é seu
Nunca descobre o que realmente perdeu.
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